a falta que falta em mim
se no meu corpo continuam contidos todos os órgãos, pensamentos, memórias, meu sistema límbico, por que parece que algo está faltando? se repassei mil vezes as coisas que eu tinha antes e depois de você, se você me deixou com todas as minhas lembranças e todos os móveis do meu quarto, por que parece que algo me falta? como se você fosse minha terceira perna, que me impedia de andar, que me estabilizava, mas nunca tive essa. foram sempre duas. será que você era excesso de mim? e subitamente voltei a caber apenas em um corpo, e nada diz mais do real do que ser reduzida a mim mesma - ser reduzida a tudo o que sempre fui, que sempre coube nos limites do meu tempo e espaço. com minhas verdades escancaradas, a maior delas é saber que o tempo não cura nada, ele só se coloca à mostra para que façamos qualquer coisa com ele. e eu faço, e você faz, e você não existe
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