é mais uma vez sobre céu
Em um desses dias retos tropeçou em uma nuvem linear, magérrima, e meio aterrorizante no céu laranja de fim do dia. Comparou- a à mancha de sua camiseta branca. Estupefato momento brusco em que o céu e a terra tropeçam no acaso e além. Ao cair da noite, deitou-se logo para dormir e abriu os olhos para o teto branco e num gesto de leveza e hábito estendeu o braço para o lado vazio da cama. Seus dedos tocaram a ausência. Seria sem sentido chorar, então chorou. Estava tão sozinho que o melhor
mesmo seria fazer qualquer coisa sem sentido. Às vezes por um tempo o melhor a se fazer são coisas humanas tão antigas e sentir saudade da maneira mais humana possível: chorou sem sentido como se isso o solucionasse. Há um feitiço que amaldiçoa os avisados e os desavisados.
Vamos fazer assim. ficamos desse jeito. abre a porta, a bengala encostada na parede ao lado, o sol na fresta da cortina e a decisão de sair à rua. absoluta e todas as coisas no momento banais diz alto "os homens enlouqueceram ou enlouquecerão".a forma como todas as coisas pequenas tem grandes formas e é preciso um pouco de loucura para aguentar com sanidade esses momentos e essa linearidade de suas fraquezas. pôs-se a andar pois essa história é sobre um outrém. destemidos são os que andam por aí sem fé. sem fé. e esbarram com nuvens com ângulos zerados e quais são as possibilidades. me diga. quais são. pois se há de existir coisa como essa, não gostaria de duvidar de mais nada.

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