o que só nossos próprios olhos podem ver

hoje eu sonhei bonito. acredite: foi bonito a ponto de eu acordar de bom humor em semanas. me deu até vontade de viver o dia.  fez uma tarde bonita. estou exausta, e foi belíssima. o céu. a lua. a chuva mais pro fim do dia, pra lavar, levar. tirei energia para. dancei, comi um bolo que eu mesma fiz! tomei café. estudei com gosto. li. as palavras me atravessaram. não tanto como o sonho. você não acreditaria. choro agora. eram vários cômodos, lá, no sonho, vários ambientes, era natal? ano novo? comemorávamos. hora do almoço você cozinhou pra mim. disse que era pra mim. andávamos pela casa. seu sorriso, que sempre achei uma das melhores coisas em você. você sempre foi alto, grande, imenso, de ossos finos, frágeis, longos. fico pensando porque ainda te sonho. não anotei tudo, não lembro mais do resto. você ainda me  afeta aqui no meu subconsciente. fazia semanas que não pensava em ti. ainda não me lembro de quais músicas estavam na playlist do lado A e lado B. isso me mata às vezes. queria que tivesse me mandado as cartas que diz ter escrito. deveria ter mandado enquanto com o trem que levava suas pernas. agora sou eu o ser humaninho cheio de dor que caminha pelas ruas que gritam. mas não o seu nome. gostaria que fosse. ruas de paralelepipedos sempre vão me lembrar caminhar do teu lado. caminho por elas feliz. engraçado como essa palavra era o terror dos ditados lá na pré-escola. paralelepipedo e feliz. crio lembranças. sigo firme. e não estagnei. essa mesma época, há 2 anos, estava surtando imenso. a gente tava tendo aquela conversa na casa do Mateus, amigo da Laura. cê tava longe... me machucava. acabou por ali. será que é por isso que lembrei hoje? o tempo leva e trás coisas de volta, e nada temos controle sobre isso, você me disse. mas não lembro o que me disse chorando na frente daquela igreja alguns meses atrás. nem lembro o que eu disse. e, enfim, senti que acabou ali, finalmente, depois de dois anos. pra mim. e se eu tivesse escolhido outro rumo pra minha vida? eu sempre começo a hiperventilar quando penso demais no que fomos. e também no final de Sometimes, na versão do Kenny, quando ele diz que dói amar. dói. tira o ar. as palavras. acho que, assim como antes, estamos sincronizados, ainda, isso que me mata. também ando vivendo de migalhas. da vida. das pessoas. de mim mesma. sempre fomos sonhadores. de sonhar pra reviver. fecho os olhos. vivo uma vida de cada vez. sabe, é no amor que a gente encontra sentido pra vida, é só no amor. no reviver, no sonho bonito. no indizível. choro igual criança. soluço igual criança. deixando o tempo acontecer. 


Close my eyes, feel me now
I don't know how you could not love me now
You will know, with her feet down to the ground
Over there, and I want true love to love
You can't hide, oh no, from the way I feel
Turn my head into sound
I don't know when I lay down on the ground
You will find the way it hurts to love
Never cared, and the world turned hearts to love
You will see, oh now, oh the way I do
You will wait, see me go
I don't care, when your head turned all alone
You will wait, when I turn my eyes around
Overhead, when I hold you next to me
Overhead, to know, oh the way I see
Close my eyes, feel me how
I don't know, maybe you could not hurt me now
Here alone, when I feel down too
Over there, when I await true love for you
You can hide, oh no, oh the way I do
You can see, oh now, oh the way I do

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