um pouco que me apertem o dedinho e já vou falando

digne eum invenire non possumus magnus fortitudine et iudicio et iustitia et enarrari non potes

"invenire", do latim, diz de descobrir de encontrar a ideia inventada, digo, esta mesma língua morta que combina tanto com a morte diz, com apenas oito letras, eu me sento eu me deito nos vales infinitamente descobertos e compridos como os braços de Deus, nas manhãs em que me seguro para não sair voando pela janela do meu quarto, primavera, (em sinal de protesto, apenas, deveríamos todos morrer, simplesmente, e estamos morrendo, estamos protestando). Sinta: as ruas da cidade tem cheiro de uva aos novembros, eu precisava tanto delas e novembro está chegando, estas mesmas pequeninas frutas que trazem pequenos prazeres e há tantas coisas pequenas que dão prazer (o gozo ocupa todos os espaços, é onipresente, é Deus, latim, a morte de morrer de amor até se viver de amor, então) (morrerei como a língua antiga, invenire, quando chegar a hora, me deitarei no infinito prazer de coisa maior que não me sustenta, entretanto me fará o suspiro abençoado quando enfim enfim enfim da janela eu voar, não me jogar, é preciso ter peito de ferro)

é preciso respirar o tempo todo o tempo todo e então 
tal como sair pela rua afora sair dançando abraçar as pessoas fazer amor e comer, tenho fome

nos dias em que sobrar amor, e é necessário que sobre, não que falte, escute, nos dias em que parecer que não cabe dentro de si, experimente viver, então,

 como forma de protesto única e somente.


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