Escuro, colorido, muito claro, cinza, amarelo, roxo, azul: tudo ao mesmo tempo. Aos 19, era tudo ao mesmo tempo e por isso ela ficou confusa e se tentou bater a cabeça no chão repetidas vezes ao menos um dia do mês pra ver se desmaiava e aos 19 era confuso era tudo era tudo isso está ruim. Perguntaram se ela cantava e cantou "I want the one I can't have". Tenho sono tenho sede não tenho fome e mesmo com tanto café tenho tristeza e não dopamina e não há assunto que me interesse no momento e tudo me interessa no momento em que posso ter o mundo e só tenho o meu quarto e eu não deveria ser tão apegada (aos 19).
No dia dos 20 ela percebeu que vivia uma tragicomédia e que tudo ao seu redor era uma grande peça de teatro ou talvez um filme daqueles que não se acha fácil na pirataria e saiu sem roupa na varanda de casa gritando que tinha entendido e finalmente entendeu que as luzes dos 19 e as cores eram boas, mas ainda não se decidiu se o roteiro estava nos eixos. E precisava? O roteiro precisa estar nos eixos? De quem? Em uma dessas cenas e muito de repente meio tropeçando meio sem esperar ela conheceu uma pessoa que a arrastava pro fundo do palco por algumas horas por dia, e ela tentou ensinar essa pessoa a dançar enquanto ela lhe mostrava um pedacinho de si a cada dia. E assim seguiram. Mas a história e a tragicomédia são sobre os 20, os 19 e os anos que virão à frente e tem de se pensar em um roteiro em um esboço ou é preciso viver a cena atual e dar voltinhas atrás do palco pra fumar um tabaco? Ela não sabia. Música sempre foi uma grande questão e ela não sabia nada sobre música. Sabia sobre seguir em frente com desejo de sobra e sem coragem.
So you wanna marry me
oh
you got my sympathy
Aos 21 e em toda a vida, coragem sempre foi uma grande questão a entrar nos eixos. Coragem para pequenas coisas e para grandes coisas. Aos 21 poderia chorar a noite toda. E o palco ficava mais estreito a cada dia eu não sei terminar bosta nenhuma.
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